Vejo a onda
gigante que vem se aproximando e que vai me arrastar para as terras do outro
lado do Atlântico. E eu me sinto bem no meio do campo de batalha. E de um lado
vêm chegando os gregos. E do outro vem chegando o exército de Bonaparte. E eles
descem as montanhas em direção ao vale em que me encontro. E eles vêm gritando
uma canção forte e são índios rebeldes. E eles trazem nas mãos metralhadoras
roubadas do QG da Interpol. E, reza a lenda, eles já foram vistos adentrando
como loucos os saldões de janeiro das Casas Bahia. E eles vêm sobre cavalos e
são guerreiros de Garibaldi. E eles vêm de cara limpa enfrentar tanques e
canhões e são as ovelhas negras da família militar. E eles vêm cantando
Caetano, Geraldo Vandré. E eles vêm esfomeados a mando do Papa libertar
Jerusalém. E eles querem a República e expulsam Pedrinho a pontapés. E eles são
os gritos de desespero que saem das bocas dos caras da Dow Jones. E eles são as
lágrimas e a honra nas faces das bruxas que queimam no fogo da Igreja. E eles
são minha irmã entusiasmada me perguntando se também estou. E eles são meus
novos amigos, os que mal conheço e os que ainda não conheci. E eles vêm me
perguntando sobre batatas, malas e quartos de hotel. E eles vêm como uma onda
gigante que cobre Atlantis. E eles vêm me levar daqui.
domingo, 1 de julho de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Magu foge da escola.
O sinal tocou fazendo vibrar os tímpanos de Magu. A menina
avistou uma nuvem de pessoas indo em sua direção. Acelerou os já rápidos
passos. Milhares de adolescentes, como ela, em uniformes azuis carregando suas pesadas
mochilas começaram a passar pela garota, dirigindo-se às salas de aula. Magu provavelmente
teria aproveitado melhor aquela situação que se assemelhava a uma cena de filme
de ação não fossem os motivos que lhe faziam correr para a saída do colégio.
Estes a assombravam a cada passo dado contra o fluxo de alunos. Desceu como que
voando as escadas centrais nas quais havia janelas grandes. Era exatamente
assim que se sentia: voando. Os delicados motivos lhe fizeram perder o medo de
se machucar rolando escada abaixo. E durante sua passagem por aquelas escadas cujas
janelas davam direto para o pátio, até mesmo a vontade desvairada de passar
pelos portões da saída virou um borrão. De repente, nada importava tanto quanto
seu voo amador. Ao chegar ao fim das escadas, Magu correu pelo comprido pátio.
Todas as amarras que ela sentira anteriormente pareciam desaparecer durante
aquela corrida. Todos os nós na garganta. Todos os mal jeitos. Todos os
arranhões. Todos os tiques ali adquiridos. Todas as coisas negativas pareciam
desaparecer. Nem mesmo o resto das pessoas mais atrasadas caminhando para suas
salas era importante. Nada. A menina alcançou os portões pouco antes de eles
fecharem. Correu desesperadamente por eles antes que alguém lhe tentasse
impedir. Deu mais alguns passos tortos e quando viu estava na rua. Respirou
aliviada, porém ainda sentindo a adrenalina jorrar por suas veias. Sentia-se uma
fugitiva da lei. Ou melhor, uma anti-heroína afinal a causa era nobre. Caminhou
por mais alguns metros até o instante em que toda a adrenalina pareceu cair
brusca e repentinamente. A sensação era a de que surgira um buraco negro bem no
centro de seu peito que sugaria todo o resto. Os passos e a visão falharam.
Tudo parecia pintado numa tonalidade meio amarelo meio esverdeada. Magu apoiou-se
no muro de uma casa. Pensamentos distorcidos passavam por sua mente. Para onde iria? Como chegaria lá sem nem
dinheiro pra um ônibus? Como explicaria toda aquela situação? Centenas de
ideias lhe ocorreram e em seguida por ela foram abandonadas. Recuperou-se da
tontura e pôs-se ereta. Recobrou a lucidez e um pouquinho da loucura.
Nada importava. Sorriu um riso bobo e continuou andando.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Magu
"Vó, eu tô apaixonada", a então pequena Magu disse à sua avó, Begonha.
"Que nada! Amor é besteira, Maria Augusta. Você não vê seu avô?" Begonha sorriu.
"Que avô, vó?", a menina perguntou, confusa.
"Exatamente!", a avó respondeu rindo e depois não disse mais nada. Magu também não perguntou mais nada, pegou um biscoito do pote que ficava sobre a mesa e saiu correndo para o quintal para pular corda.
"Que nada! Amor é besteira, Maria Augusta. Você não vê seu avô?" Begonha sorriu.
"Que avô, vó?", a menina perguntou, confusa.
"Exatamente!", a avó respondeu rindo e depois não disse mais nada. Magu também não perguntou mais nada, pegou um biscoito do pote que ficava sobre a mesa e saiu correndo para o quintal para pular corda.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Oi
Esse é só um post pra avisar que aí vai meu primeiro post, que, sendo o primeiro, provavelmente vai estar meio estranho. Sobre mim, não vou falar muito porque espero que meus posts que virão façam isso. Ok, então. Aí vai.
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