domingo, 1 de julho de 2012


          Vejo a onda gigante que vem se aproximando e que vai me arrastar para as terras do outro lado do Atlântico. E eu me sinto bem no meio do campo de batalha. E de um lado vêm chegando os gregos. E do outro vem chegando o exército de Bonaparte. E eles descem as montanhas em direção ao vale em que me encontro. E eles vêm gritando uma canção forte e são índios rebeldes. E eles trazem nas mãos metralhadoras roubadas do QG da Interpol. E, reza a lenda, eles já foram vistos adentrando como loucos os saldões de janeiro das Casas Bahia. E eles vêm sobre cavalos e são guerreiros de Garibaldi. E eles vêm de cara limpa enfrentar tanques e canhões e são as ovelhas negras da família militar. E eles vêm cantando Caetano, Geraldo Vandré. E eles vêm esfomeados a mando do Papa libertar Jerusalém. E eles querem a República e expulsam Pedrinho a pontapés. E eles são os gritos de desespero que saem das bocas dos caras da Dow Jones. E eles são as lágrimas e a honra nas faces das bruxas que queimam no fogo da Igreja. E eles são minha irmã entusiasmada me perguntando se também estou. E eles são meus novos amigos, os que mal conheço e os que ainda não conheci. E eles vêm me perguntando sobre batatas, malas e quartos de hotel. E eles vêm como uma onda gigante que cobre Atlantis. E eles vêm me levar daqui.

 Mas eu vou socar Curitiba inteira dentro da minha mala. E vou levar vocês daqui.