Vejo a onda
gigante que vem se aproximando e que vai me arrastar para as terras do outro
lado do Atlântico. E eu me sinto bem no meio do campo de batalha. E de um lado
vêm chegando os gregos. E do outro vem chegando o exército de Bonaparte. E eles
descem as montanhas em direção ao vale em que me encontro. E eles vêm gritando
uma canção forte e são índios rebeldes. E eles trazem nas mãos metralhadoras
roubadas do QG da Interpol. E, reza a lenda, eles já foram vistos adentrando
como loucos os saldões de janeiro das Casas Bahia. E eles vêm sobre cavalos e
são guerreiros de Garibaldi. E eles vêm de cara limpa enfrentar tanques e
canhões e são as ovelhas negras da família militar. E eles vêm cantando
Caetano, Geraldo Vandré. E eles vêm esfomeados a mando do Papa libertar
Jerusalém. E eles querem a República e expulsam Pedrinho a pontapés. E eles são
os gritos de desespero que saem das bocas dos caras da Dow Jones. E eles são as
lágrimas e a honra nas faces das bruxas que queimam no fogo da Igreja. E eles
são minha irmã entusiasmada me perguntando se também estou. E eles são meus
novos amigos, os que mal conheço e os que ainda não conheci. E eles vêm me
perguntando sobre batatas, malas e quartos de hotel. E eles vêm como uma onda
gigante que cobre Atlantis. E eles vêm me levar daqui.